sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Onde está a coreógrafa?

Fotografia @ Nuno P. Custódio

Companhia de Bailarinas, CAR de Palmela, Julho de 2008. Foto de ensaio,
no Cine-Teatro São João. Da esquerda para a direita: Rosinda Costa,
Linda
Valadas, Iolanda Santos e Gina Tocchetto.

Trabalhar em velocidade. Esta fotografia foi tirada com um telefone porque era urgente ter uma imagem do espectáculo para a imprensa. Descobríramos a ideia de trabalharmos o Zanni, num agrupamento de bailarinas, havia poucos dias. Não tinhamos sequer pensado ou ensaiado qualquer acção, qualquer situação, qualquer momento para a peça. Ainda assim, surgiu esta imagem. Companhia de Bailarinas iria versar, três semanas depois, sobre um grupo de bairro com aspirações profissionais obcecado com a preparação dos agradecimentos... Eis então que esta foto impulsionou o próprio sentido dramaturgico, com bailarinas ensaiando, ensaiando, ensaiando... o momento de receberem os aplausos.
A outra curiosidade desta imagem reside no facto de ter sido composta como uma escultura. Ia-se pedindo às actrizes coisas tão específicas quanto: "Agora, olha para trás do teu ombro" ou "levanta mais o nariz da máscara" ou "olha para aquele ponto e baixa mais o centro de gravidade"... Para fora, ficou uma acção com uma vida interior capaz de sugerir um passado e um futuro. Por exemplo: um grupo de bailarinas agradece ao público, aguarda a vinda ao palco da coreógrafa, há uma delas que olha para trás, talvez porque tenha ouvido dos bastidores que esta não quer aparecer... Outras ideias podiam fazer-se, claro. Mas até as actrizes se surpreenderam com a quantidade de informação contida numa imagem onde elas jamais haviam sentiado ou interpretado o que quer que fosse. De facto, em teatro, a única realidade é a ilusão que é tida...

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