sábado, 22 de novembro de 2008

Soneto da mente só

Filipe Costa dizia maravilhosamente bem este poema. Tão bem que até mesmo quando se enganava (havia frequentemente uma atracção perigosa para trocar "mente" por "alma") a coisa aceitava-se. A sua personagem, Victor Remington (para os espectadores, apenas Victor) estava a "me ditar" em cima da sua secretária, até que pensou que podia "lhe ditar" (à colega do lado) ou, melhor ainda, "vos ditar" (para obter simultaneamente uma versão dactilografada e caligrafada do seu soneto).
Escrevi-o num restaurante indiano, ali perto da Praça da Figueira, em Lisboa. Usei-o depois para o processo de trabalho de "Como havemos de estar", em Coimbra, com o Teatrão. Entre muitas coisas que não se aproveitam, o "Soneto da mente só" foi um dos sobreviventes. Em grande parte, graças, à forma como o Filipe o punha cá para fora.



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