domingo, 30 de novembro de 2008

Tria, millia, passum

Fotografia @ António Supico

Pax Romana
, Este - Estação Teatral. Foto para a imprensa,
Teatro Clube de Alpedrinha, Abril de 2006. Da esquerda
para a direita: Sérgio
Fernandes, Alexandre Barata e Pedro Diogo.


Uma tarde inteira para se conseguir uma fotografia. Centenas de tentativas para a mesma ideia simples: três legionários alinhados, cada um "na sua" mas, ao mesmo tempo, em colectivo. Recordo-me que o legionário Tulius (Sérgio Fernandes, à esquerda) encontrou nesta sessão finalmente o registo certo, deixando cair um histrionismo que lhe servia de muleta. Passou a ser mais ingénuo, ficando agora um bronco mais contido, não um brutamontes. Este contraste trouxe mais verosimilhança e humanidade à sua criação. Por causa da contenção, sim. Os actores, porque lhes falta muitas vezes a confiança e a validação de um olhar central, mais distante, tendem a fazer sempre mais do que aquilo que é preciso, deixando o público "desocupado". Este aforismo conheci-o verbalizado por Miguel Seabra, numa sessão de homenagem ao seu trabalho na Sociedade Portuguesa de Autores: "O actor existe para fazer mas o seu grande pecado é querer fazer."
Durante a parte final do processo de trabalho, o Sérgio percebeu que a contenção é a não ocupação de um espaço só porque ele está vazio. Este trabalho recentrou as emoções no seu corpo e a sua personagem tornou-se realmente interessante.

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