quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Citações de outros (que estiveram/estão na barra lateral)

Novembro / Dezembro 2008
Teatralidade


«O que realmente fazemos quando preparamos uma peça é orquestrar o percurso do público. Este jogo – ou interacção – é a teatralidade. A palavra tem sido usada de forma pejorativa, sugerindo histrionismo, representação forçada, redundância, exibicionismo e falta de exigência. Eu uso-a para referir o exacto oposto.»

NICOLA, James. Playing the audience: the practical actor's guide to live performance. New York: Applause, 2002, pp. 1.

Dezembro 2008
Concentração


Um mestre Zen comparou certa vez os humanos a marionetas. No momento do nascimento e da morte as suas cordas são esticadas de forma muito apertada ou até repentinamente partidas. Quando se morre, disse, a corda parte-se e, com um som, o boneco colapsa.

O mesmo se passa com os actores quando estão em cena. Tu és um boneco preso e manipulado pelas “cordas” da tua mente. Se o público reparar nessas “cordas”, a representação torna-se desinteressante. Mesmo que necessites de manter uma concentração forte a todo o momento, durante a acção e durante a imobilidade, estas “cordas” nunca podem tornar-se visíveis. O público jamais te pode ver a concentrares-te.

Por outro lado, se a tua concentração vacilar, é como se as cordas do boneco ficassem lassas. A acção fica suja e os espectadores sentem-se a observar um boneco, ao invés de acreditarem que estão mesmo diante de um ser vivo. Da mesma maneira, se a “corda” da concentração do actor tornar-se lassa, a representação não resultará. Só quando se mantiver tensa mas invisível a representação soará verosímil e orgânica: completamente desperta.

OIDA, Yoshi e MARSHALL, Lorna. The invisible actor. London, Metheun, 1997, p. 17.


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